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Federação Gaúcha de Montanhismo também quer ciclovia sobre o Guaíba

urlA Federação Gaúcha de Montanhismo (FGM) soma-se à Mobicidade e mais seis instituições da sociedade civil exigindo a previsão de acesso seguro para ciclistas na construção da segunda ponte sobre o Guaíba.

Segundo, Nelson Brügger, da FGM, além dos argumentos já expostos na carta enviada ao DNIT e ao Ministério dos Transportes, o acesso de ciclistas na ponte é importante também para a apropriação do Parque Estadual Delta do Jacuí.

Confira abaixo a mensagem enviada pela FGM à Mobicidade:

O Sistema de Unidades de Conservação do Estadual, ainda é um sistema frágil e  em grande parte, "no papel". A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) demonstrou em recente publicação, a função estratégica das áreas protegidas urbanas, para a conservação daquelas mais distantes. Se não conseguirmos defender a natureza nas grandes cidades, onde se encontram os centros de poder, a grande mídia, as grandes Universidades e não menos importante, a maioria dos movimentos sociais, dificilmente o faremos na Amazônia, nos Campos de Cima da Serra, ou na fronteira Noroeste. A Federação Gaúcha de Montanhismo, se manifestou na consulta pública do Plano de Manejo do Parque Estadual do Delta do Jacuí, solicitando que se reveja o cronograma do mesmo, priorizando o Uso Público, como meio de se obter apoio da sociedade para que este Parque saia do papel. Para isso, é vital o acesso cotidiano da sociedade, particularmente de ciclistas, que possam ir desfrutar seu lazer não motorizado de forma compatível com a conservação da natureza e dessa forma, se apropriar deste patrimônio natural. Manifestamos o desejo de ver contemplada uma via exclusiva para ciclistas na travessia do Guaíba, viabilizando dentre outros benefícios, o direito ao "...meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida." (art.225, Constituição Federal)

Todos à Câmara: revogação dos 20% será votada nesta quarta.

Depois de vários adiamentos o projeto de lei do governo Fortunati que revoga o artigo 32 do Plano Cicloviário, que obriga o executivo investir 20% dos valores arrecadados com multas em campanhas educativas e ciclovias, finalmente irá para votação nesta quarta-feira, dia 14 de maio a partir das 14h30. É importante a presença massiva da comunidade na Câmara de Vereadores para pressionar os vereadores a agirem pelo bem da cidade e não por interesses pessoais.

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Projeto de ciclovia da Avenida Sertório prevê remoção de espaço para pedestres.

Esta semana, tivemos acesso ao projeto do complexo de ciclovias da Sertório, elaborado pela EPTC e que será uma das próximas ciclovias a ser implementadas na capital. Estamos disponibilizando o download do projeto completo, basta clicar aqui.

Mais uma vez, a EPTC está optando por construir a ciclovia em cima da calçada, tanto na Avenida Sertório como em algumas das vias auxiliares que farão a conexão com a Avenida Farrapos. Em alguns trechos, a ciclovia chega a ocupar quase que a totalidade do passeio público, não deixando opção para o pedestre senão caminhar em cima da ciclovia, e em certos pontos ela passa rente às portas do imóveis não deixando nem um espaço para que quem saia ou entre nos imóveis possa ter o mínimo de conforto ou segurança, criando um sério risco de atropelamento de pedestres.

Há espaço físico suficiente em boa parte do trajeto para que a implementação da ciclovia seja feita na própria via sem remover faixas de circulação nem vagas de estacionamento, apenas redimensionando as faixas existentes para uma utilização mais eficiente do espaço público.

A montagem abaixo é meramente ilustrativa para mostrar como podemos acomodar uma ciclovia na pista de rolamento mantendo o número de faixas para automóveis particulares e sem interferir no corredor de ônibus. A imagem original mostra o mau aproveitamento do espaço atualmente, com faixas excessivamente largas que incentivam altas velocidades.

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Confira abaixo o projeto proposto pela EPTC para o trecho representado acima e perceba como ele suprime praticamente todo o espaço dos pedestres no passeio.

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O estreitamento de faixas proposto na imagem acima, tem as seguintes vantagens sobre o projeto apresentado pela EPTC:

  • Uso mais eficiente do espaço público;
  • Não reduz espaço destinado aos pedestres, respeitando o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA);
  • Permite o acesso livre e seguro a prédios e comércios locais, sem causar risco ou incômodo aos pedestres;
  • Não é necessária a remoção de vegetação rasteira ou árvores;
  • Aumenta a área destinada a modais não-motorizados, humanizando esta que é uma região altamente rodoviarizada e degradada da cidade;
  • Faixas mais estreitas desincentivam as altas velocidades, reduzindo a gravidade e o número de atropelamentos, tornando a região mais segura e atrativa para pedestres.

A galeria abaixo mostra algumas outras montagens, em outros trechos da ciclovia e as respectivas plantas do projeto.

Pesquisa descobre que ciclovias geram empregos

Para muitos comerciantes, vagas para carros são garantia de clientela e lucro no final do mês, enquanto a substituição destes espaços por ruas para pessoas gera impasses e contrariedade. Estudos demonstram que o pensamento pode ser equivocado, como em Nova York, que viu o lucro aumentar cerca de 50% após a implantação de ciclovias.

Mas, pela primeira vez, um estudo analisou a relação entre os diferentes projetos viários e a criação de novas posições no mercado de trabalho. A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Massachussetts, nos Estados Unidos, e concluiu que criar novas ciclovias gera mais empregos do que investir em qualquer outro tipo de estrutura viária nas cidades.

Os pesquisadores Instituto de Pesquisa em Economia Política (PERI) da universidade compararam 58 projetos em 11 cidades americanas. A descoberta foi que o maior índice de novos empregos está nas regiões onde ciclovias foram construídas: em média, foram gerados 6 empregos diretos por milhão gasto na obra, mais 2,4 empregos indiretos e 3 induzidos, somando 11,4 novas colocações no mercado de trabalho.

Em contrapartida, as regiões cuja infraestrutura é exclusiva para veículos automotores foram as que menos geraram empregos por dólar gasto: 4 diretos, 1,8 indiretos e 1,8 induzidos, um total 7,8 novas colocações, índice 46% inferior se comparado à região com malha cicloviária. Já nas áreas mistas para pedestres e ciclistas o total de empregos gerados por milhão gasto é de 9,9.

A pesquisa sugere que a razão para a diferença de empregos gerados se dá em razão de uma cadeia: esses projetos são mais complexos, requerem mais profissionais e materiais. “Não é nenhum segredo que o investimento em infraestrutura de transporte gera empregos e ajuda a economia”, afirma o diretor da América Bikes ao release oficial do estudo. “Este estudo demonstra bicicleta e projetos de pedestres não são exceção – na verdade, eles são especialmente eficientes na criação de empregos”.

Fonte: The City Fix Brasil

Carta Aberta ao Prefeito José Fortunati Sobre as Mortes de Daíse e Patrícia

A Mobicidade lamenta profundamente as mortes das jovens Daíse e Patrícia na semana passada, quando foram atropeladas por ônibus em Porto Alegre. Mas salientamos que elas não foram as primeiras e infelizmente não serão as últimas pessoas a morrerem por ousar participar do trânsito sem a proteção da lataria de um automóvel. Somente no ano passado foram 126 mortes no trânsito da Capital – nos últimos cinco anos foram 690 mortes, quase três vezes o número de mortos na boate Kiss. O fato de essas mortes ocorrerem num intervalo de tempo maior, não é justificativa para não adotarmos medidas tão enérgicas quanto as que estão sendo tomadas para evitar novas tragédias em casas noturnas – pois a causa dessas 690 mortes é a mesma: a falta de políticas públicas e de medidas de engenharia de trânsito que priorizem e garantam a segurança dos mais frágeis no trânsito: pedestres e ciclistas.
Segundo dados da própria EPTC, o número de vítimas fatais por atropelamento cresceu 26% em 2013 e o número de ciclistas mortos no trânsito aumentou 80%.Esses números são inaceitáveis pois não estamos falando de mera matemática, mas de vidas humanas.
As grandes cidades do mundo já perceberam que o caminho para se ter uma cidade com mais qualidade de vida e mais mobilidade é a humanização do trânsito, privilegiando a circulação de pedestres, ciclistas e transporte público coletivo (como inclusive já prevê o Plano Diretor de Porto Alegre). Existem diversas políticas públicas e de engenharia de tráfego que podem desestimular a condução perigosa e irresponsável de veículos, garantindo a segurança de todos que se deslocam na cidade. Alguns exemplos de ações:
  • Elevação das faixas de segurança para o mesmo nível do passeio público – de forma que a faixa de segurança seja uma continuidade das calçadas, onde é o automóvel que entra no domínio do pedestre, e não o contrário;
  • Road Diet – (dieta de ruas), consiste em tornar o tráfego de uma rua mais seguro e eficiente com alterações na distribuição do espaço das diferentes faixas de trânsito;
  • Zonas 30 – estabelecer velocidade máxima de 30km/h em zonas residenciais e outras zonas específicas, tornando a via mais segura para pedestres, ciclistas, crianças e animais de estimação, outro benefício adicional é a redução da poluição sonora – agente causador de estresse e outras doenças;
  • Avanço dos passeios públicos nos cruzamentos e faixas de segurança – o passeio público avança, ocupando a faixa de estacionamento das vias onde o mesmo é permitido, nos cruzamentos e em faixas de segurança. Traz inúmeros benefícios, entre eles: reduz a distância que o pedestre precisa atravessar para chegar até o passeio do lado oposto, evita que carros estacionem nas esquinas ou sobre as faixas de segurança, obriga os veículos a reduzir a velocidade ao fazer conversão,  facilitando a travessia de pedestres, e ainda permite o melhor aproveitamento do passeio público criando mais espaço para a circulação de pessoas em ruas movimentadas.
A Mobicidade se disponibiliza para dialogar e assessorar a Prefeitura Municipal de Porto Alegre para a implementação de qualquer medida de acalmia de tráfego de forma completamente voluntária. Disponibilizamos também nosso Comitê de Educação para elaborar campanhas educativas junto com a EPTC e com os motoristas profissionais de táxi, lotação e ônibus.
Caro prefeito, é hora de escolher qual cidade o senhor quer ajudar a construir: uma cidade onde seja possível cobrir grandes distâncias a altas velocidades em automóveis particulares, ou uma cidade onde haja vida nas ruas, onde as pessoas transitem com segurança, na qual ninguém seja punido com pena de morte por ousar andar a pé, de bicicleta, ou por cometer o grave crime de estar distraído – uma cidade onde também é possível ter um transporte público de qualidade – seguro, confiável e conveniente.
Atenciosamente,
MOBICIDADE – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta.

Petição em defesa do Plano Cicloviário ultrapassa as três mil assinaturas.

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Neste fim-de-semana, a petição contra o projeto de lei que mutila o Plano Cicloviário ultrapassou a meta das três mil assinaturas.

Vamos continuar assinando para fazer o governo voltar atrás e retirar o projeto de votação.  A educação no trânsito e a construção de ciclovias são fundamentais para construirmos uma cidade mais humana.

Assine e compartilhe a petição.

E compareça na Audiência Pública para barra esse projeto nesta segunda-feira, 31 de março, às 19h na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Carta aberta – sobre as mortes de Patrícia e Daise

Porto Alegre, 21 de março de 2014.

Nesta quinta-feira, dia 20 de março, duas meninas foram mortas, em Porto Alegre, ao serem atropeladas por ônibus, com intervalo de menos de nove horas. Uma se chamava Patrícia Silva de Figueiredo, tinha 21 anos, e a outra era Daise Duarte Lopes, de 19 anos, ambas eram estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A Mobicidade repudia quaisquer tentativas, que infelizmente já estão acontecendo, de culpabilização das vítimas. O Código Brasileiro de Trânsito não cita o capacete entre os itens obrigatórios para o uso de bicicletas mas, principalmente, sua ausência não foi a motivadora dos atropelamentos. Da mesma forma, pedestres, muitas vezes idosos com dificuldades de locomoção, também são vitimados por atropelamentos. A causa de sua morte não está na ausência do uso de acessórios e sim na imprudência e irresponsabilidade que são premiadas com a impunidade e leniência das autoridades e da própria justiça, e que geram, anualmente, cerca de 40 mil mortos nas ruas e estradas brasileiras.

A Mobicidade, além de diversas outras entidades da sociedade civil, luta para que a cidade seja de todos. Para que os pedestres possam se deslocar com facilidade, sem temer pelas suas vidas toda vez que têm que atravessar uma rua; para que pessoas possam optar por usar a bicicleta sabendo que é um transporte ágil, conveniente e seguro. Para que ninguém pague com sua vida simplesmente por estar distraído. Para que crianças possam voltar a ter na rua um espaço de lazer e brincadeira.

Existem medidas que possuem enorme potencial para deixar nossas ruas mais seguras, e para todos:

  • Educação e conscientização para um trânsito que privilegie a vida, onde efetivamente o maior proteja o menor, ou seja, o motorizado proteja o não-motorizado, conforme determina nosso Código Brasileiro de Trânsito;
  • Um planejamento urbano que priorize a circulação e segurança de pedestres e ciclistas e o uso seguro do transporte público e veículos de carga e particulares, por meio da restrição às altas velocidades. Exemplo disso são as Zonas 30, limitando – e fiscalizando – a circulação em vias locais a 30km/h.

O número de morte de ciclistas no trânsito de Porto Alegre cresceu 80% no ano passado em relação a 2012, enquanto o número de vítimas fatais por atropelamento cresceu 26%. E esses números só tendem a crescer, caso nossa administração municipal continue tratando questões cruciais de saúde pública com a negligência que vem demonstrando. Como agravante, vemos como abjeta e irresponsável a tentativa, com Projeto de Lei Complementar, de a Prefeitura livrar-se da obrigação da reserva e aplicação de 20% da arrecadação de multas para a construção de infraestrutura cicloviária e, principalmente, para a realização de campanhas de educação para o trânsito. Essa atitude demonstra desprezo por vidas humanas preciosas como as que foram perdidas nessa quinta-feira.
Isso é reflexo de uma cidade que há décadas é, e continua sendo, planejada para o automóvel, relegando a segundo plano a circulação efetiva de pessoas, estejam elas a pé, de bicicleta, ou utilizando quaisquer outros veículos.

Para transformar essa realidade e para que todos os porto-alegrenses sejamos a mudança que queremos para o mundo, conclamamos a reflexão e ação de toda a população, bem como de seus representantes, para que o funcionamento de nossas cidades não gere ainda mais mortes.

Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta – Mobicidadea

TJ-RS determina que prefeitura de Porto Alegre cumpra integralmente o Plano Diretor Cicloviário

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul(TJ-RS) confirmou nesta quarta-feira (12/03) a determinação de que a prefeitura cumpra integralmente o Plano Diretor Cicloviário (PDCI) e aplique 20% do valor arrecadado em multas de trânsito na construção de ciclovias e em campanhas de educação no trânsito. Esse artigo do PDCI é contestado pelo governo municipal, sob o argumento jurídico de que seria inconstitucional, pois acarretaria em aumento de despesas orçamentárias por parte do poder público. Entretanto, o entendimento do Judiciário, reforçado nesta quarta por decisão unânime da 21ª Câmara Cível do TJ-RS, é de que a receita de multas de trânsito não integra o orçamento do município.

O PDCI foi um projeto enviado pelo governo de José Fogaça (PMDB) e aprovado pela Câmara Municipal em 2009. A emenda que determinou o investimento de 20% do que é arrecadado das multas em ciclovias foi de autoria do então vereador Beto Moesch (PP). Apesar de não constar no projeto original enviado à Câmara, essa emenda foi sancionada por Fogaça e, agora, é questionada pelo governo de José Fortunati (PDT), que foi vice-prefeito na gestão do peemedebista.

 

Fonte: Sul 21